Este blogger é um registro, um caderno de esboços virtual .Um projeto em que pretendo organizar os meus desenhos, subdividindo em cadernos e posteriormente em livros, dos estudos que faço de forma recorrente.Alguns deles fazem parte de projetos maiores, outros, são registros dos dias, das horas, enfim de meu trabalho e por conseqüência da minha vida.Sejam bem-vindos para visitar e deixar comentários.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ELEMENTOS DE CONJUNTO

Texto e imagens de Alexandre Gomes Vilas Boas * Todos os direitos reservados -
Reprodução não autorizada
  
ELEMENTOS DE CONJUNTO



Em seu estômago
cabiam cidades inteiras
caminhões
navios
e
até mesmo a
Líbia.

cabiam pessoas
pássaros
e ruas

mortes
de todas
as formas
e deleites

cabiam
pessoas
e estradas
árvores e
ruas inteiras

relógios
e tesouras
vidros de tinta preta
anjos
e até
Augustos

tudo isso em seu estômago!

Cabiam
todas as mortes que
engolia
sem ter o luxo
de vomitá-las

engolia apenas
estradas e casas
pessoas e carros
tijolos e números
tinta preta e relógios

adoecia com tudo isso
é claro!

mas seu estômago
continha
um conjunto de
números
e radicais
adjuntos
e advérbios
substantivos e
paspalhos

algumas coisas
causavam-lhe indigestão
ou até mesmo insônias
alegrias e dores

todas em geral
incluindo a morte (que não podia ser esquecida momento algum)

faziam
com que
surgissem
açucarados e enjoativos
desenhos de jogar ao lixo

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CADERNO HOMEM VERDE






Estes foram para a Alemanha, para a Patrizia (PC Tic Tac) e sua convocatória "Message in a Bottle".São trabalhos para arte postal realizados em folders, folhetos, catálogos e materiais diversos de instiuições "oficiais" de cultura, bancos, fundações e outras entidades privadas e/ou públicas.

Nesta série de trabalhos  utilizo como suporte os materiais gráficos  que  tem sua distribuição comprometida por uma estratégia, às vezes,  equivocada e duvidosa, já que atendem (apesar de discurso contrário) apenas a alguns setores mais "bacaninhas da cidade".

Em alguns casos, os folhetos são descartados antes mesmo que a mostra, evento ou show para o qual foram destinados, tenha chegado ao fim. Em alguns casos, "tiragens" erradas são re-impressas e parte ou todo o material é descartado.Outras vezes, o material fica engavetado à espera de alguma determinação de alguém interessado em exercer seu pequenino poder (cada vez mais comum ) entre os burocratas que dizem produzir e viabilizar os projetos de arte/cultura.Não raro, você poderá achar no lixo desses locais, centenas de folhetos que nem mesmo para a reciclagem são encaminhados.

Eu os reutilizo, alterando-lhes sua função e lógica.
Imagino o quanto deve ser triste para quem os cria, perceber que não são usados para a finalidade na qual foram pensados. Entretanto, creio que isso levanta uma questão pontual sobre os caminhos burocratizantes da cultura.Muitas iniciativas em difundir a cultura seriam melhor resolvidas com mais vontade política ao invés de apenas o uso de dinheiro indo para o ralo.

O JANTAR

 Texto e imagens de Alexandre Gomes Vilas Boas * Todos os direitos reservados -
Reprodução não autorizada


 O Jantar

Quase sempre

com surpresas ao
cair da noite

Adiava
sempre a
certeza


alimentando-se
da morte
diária e
da noite


em um copo
cheio
de
cores


cores sujas
e
sagradas


os oportunistas de platéia
atiravam-lhe uma
ou outra banana

com desenvoltura,
com certa alegria,
é preciso registrar


jogavam novamente
mais
e mais


na tentativa de que o fizessem
escorregar

em suas cores
em seus copos
em seus nortes

Quem sabe até,
com a sorte dos canalhas,
quebrar a sua bússola?


Nada adiantava!


Entre cores
estivera  protegido
sempre
ou quase
por toda a vida

Quebrara os copos
as mesas
sua casa

tudo

em ruínas

menos a morte
que o alimentava
noite à dentro

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PASSEIO CURTO

 Texto e imagens de Alexandre Gomes Vilas Boas * Todos os direitos reservados - Reprodução não autorizada

 PASSEIO CURTO


 São quase duas
ou três
vezes
vidas

mesmas coisas

frases
soltas

frases
tão espertas

vivas
viúvas
e
solitárias

que andam dentro
do meu
ser

quase duas ou três
prontas

mas que custam a sair

e ainda velam
por uma angústia vinda
sabe-se
lá de onde?

duas ou três
vezes
todos os dias
ensaiam sair

mas velam
como viúvas

como
vovó
que nunca saiu de
seu vestido preto

e a vida toda
vai
assim

duas ou três vezes
elas ensaiam sair pela janela...
...poesias

por elas,
não sairia de casa!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A COMPRA DO CÉU DE MINHA JANELA

Fotografia e texto de Alexandre Gomes Vilas Boas *
Todos os direitos reservados

Já compraram o meu céu!
Não há mais vista
Não há mais nada
ou nunca houve.

Compraram a árvore
a rua
o carro
a terra

o índio
a luz
e até mesmo as trevas

Não há por onde
esconder
nada

nada há
que não tenha sido comprado


a mãe
o pai
o filho
o espírito
e também
os santos

não há nada !

nem céu
nem vista
nem terra
nem casa
nem janela
nem olhar

apenas
a compra
e sua
rede
de amigos

e estes?
bem...
...esses
também comprados!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CADERNO HOMEM VERDE

Os Três
Técnica Mista sobre painel - 2010
0,80 x 0,80

terça-feira, 5 de outubro de 2010

CÉU E INFERNO - CADERNO DIABO

                    Céu (Vermelho) e Inferno (Azul)
                 Óleo sobre tela
                 2010